Mercados em Julho: Petróleo em Alta, Dólar em Queda e Bancos Centrais em Pausa
O mês de julho terminou com os mercados a digerir dados económicos divergentes entre os EUA e a Zona Euro, enquanto tensões geopolíticas impulsionaram o petróleo.
O mês de julho de 2026 foi caracterizado por uma subida acentuada nos preços do petróleo, impulsionada por tensões geopolíticas no Médio Oriente, e por uma postura de cautela por parte dos principais bancos centrais. Numa análise partilhada no seu vídeo semanal, o canal XTB Portugal destacou também a fraqueza do dólar americano e o fortalecimento do iene japonês como temas dominantes no fecho do mês.
Cenário Macroeconómico Divergente
Nos Estados Unidos, os dados económicos apontaram para um arrefecimento. A inflação anual abrandou de 4,2% para 3,5%, enquanto o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre foi de 1,5%, abaixo dos 2,1% registados no trimestre anterior. A medida de inflação preferida da Reserva Federal também mostrou um crescimento de preços inferior ao esperado.
Em contraste, a Zona Euro apresentou um cenário diferente. A inflação subiu ligeiramente para 2,9%, mas o crescimento económico surpreendeu positivamente, com o PIB a avançar 0,4% no segundo trimestre, superando as estimativas do mercado e a estagnação do primeiro trimestre.
Bancos Centrais em Modo de Espera
Os principais bancos centrais optaram por manter as suas taxas de juro inalteradas em julho. A Reserva Federal dos EUA, o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco de Inglaterra (BoE) fizeram uma pausa para avaliar os dados económicos. No entanto, o BCE sinalizou que uma subida de juros em setembro continua a ser uma forte possibilidade, com os mercados a atribuírem uma probabilidade superior a 80%. O Banco do Japão também manteve a sua política, mas admitiu a possibilidade de uma futura subida de juros.
Desempenho dos Mercados
O desempenho dos mercados acionistas foi misto. A Europa registou ganhos modestos, com o principal índice europeu a avançar cerca de 0,6%. Nos EUA, o sentimento foi mais neutro a negativo, com o S&P 500 a fechar com uma ligeira perda de 0,1% e o setor tecnológico a recuar cerca de 3%, pressionado por dúvidas sobre os investimentos em inteligência artificial. Os mercados asiáticos foram os mais penalizados, com o índice japonês a cair mais de 8% e o sul-coreano a registar perdas na ordem dos 20%.
No mercado cambial, a principal tendência foi a desvalorização do dólar americano. Em contrapartida, o iene japonês registou fortes ganhos, alimentado por suspeitas de uma intervenção coordenada pelas autoridades japonesas e norte-americanas. A libra esterlina também valorizou, enquanto o franco suíço perdeu terreno. Entre as moedas ligadas a matérias-primas, a coroa norueguesa e o dólar neozelandês destacaram-se positivamente.
Nas matérias-primas, o petróleo foi o grande destaque, com uma valorização superior a 20% em julho. O ouro, apesar da pressão da subida dos juros das obrigações, conseguiu um ganho modesto de 1,5%, mantendo-se em torno dos 2.000 dólares por onça.
Perspetivas para o Início de Agosto
Para a primeira semana de agosto, os investidores estarão atentos à evolução do conflito no Médio Oriente, aos resultados empresariais e, principalmente, aos dados do mercado de trabalho nos EUA. Espera-se a criação de 90.000 postos de trabalho. Estão também agendadas decisões sobre taxas de juro por parte dos bancos centrais do México e do Brasil, embora não sejam esperadas alterações.
Fontes
- XTB Portugal — Bolsa de Lisboa – A Semana nos Mercados Globais 🌎2 a 8 de agosto
- Bolsa de Lisboa – A Semana nos Mercados Globais 🌎2 a 8 de agosto
Conteúdo educativo e informativo. Não constitui aconselhamento financeiro, de investimento, fiscal ou jurídico, nem recomendação de compra ou venda de qualquer ativo.


