Europa arrisca-se a ficar para trás na corrida global aos centros de dados, aponta estudo
Um novo relatório da consultora Roland Berger adverte que a Europa está a perder terreno para os EUA e a China no desenvolvimento de infraestruturas para centros de dados, essenciais para a inteligência artificial, devido a barreiras estruturais.

A Europa está a ficar para trás na competição global pela capacidade de centros de dados, com a sua quota de mercado a enfrentar uma provável redução nos próximos anos. Um estudo da consultora Roland Berger, intitulado “The AI Datacenter Study”, prevê que a participação europeia na capacidade instalada global caia dos atuais 13% para cerca de 10% até 2030. [2, 3, 4, 5]
Este declínio contrasta com uma expansão global acelerada, impulsionada pela crescente procura de infraestruturas para suportar aplicações de inteligência artificial (IA). O relatório projeta que a capacidade mundial de centros de dados quase quadruplique, passando de 88 gigawatts em 2025 para até 340 gigawatts em 2035. [4, 5, 6, 14] Prevê-se que a quota da IA na carga total dos centros de dados aumente de 20% para quase 60% no mesmo período. [4, 6, 15]
Obstáculos estruturais travam o crescimento europeu
O estudo, que se baseia num modelo de análise de mercado e num inquérito a 70 decisores do setor na Europa, identifica vários constrangimentos estruturais que dificultam o investimento no continente. [4, 6, 14] Entre os principais desafios encontram-se os longos prazos para obter ligações à rede elétrica, que podem demorar até sete anos, custos de energia comparativamente mais elevados e processos de licenciamento complexos e demorados. [2, 4, 5, 8, 14]
Em comparação, os Estados Unidos, que já em 2025 albergavam mais centros de dados do que a Europa Ocidental e a Ásia juntas, beneficiam de um ambiente regulatório considerado mais favorável e de custos energéticos mais baixos. [4, 5] A perda de capacidade de computação pode ter implicações diretas na competitividade industrial e tecnológica da Europa, bem como na sua soberania digital. [2, 3, 4]
Potencial na cadeia de fornecimento
Apesar dos desafios na construção de novas instalações, o relatório da Roland Berger aponta uma área de força para a Europa: a sua base de fornecedores. Empresas europeias especializadas em componentes essenciais como eletrónica de potência, distribuição de energia, sistemas de arrefecimento avançado e geração de eletricidade no local estão bem posicionadas para capitalizar o crescimento global do setor. [3]
Os autores do estudo sublinham que, para que a Europa consiga acompanhar o ritmo do investimento global e satisfazer a procura crescente de capacidade de computação, serão necessárias reformas significativas nas políticas de licenciamento, acesso à rede e energia. [2, 3]
Fontes
- ECO — Roland Berger alerta que Europa está a ficar para trás na corrida aos data centers
- Roland Berger alerta que Europa está a ficar para trás na corrida aos data centers
- Europe's share of global data centre capacity set to fall
- Europe's data centre share set to shrink despite AI supply chain strength
- AI drives global datacenter capacity to quadruple by 2035 as Europe's share declines despite new policy support
- Study Finds Europe at a Disadvantage in AI Development
- Europa está a ficar para trás nos centros de dados, alerta relatório
- AI infrastructure: Mapping the global data center race (Part I)
- KI treibt weltweite Rechenzentrumskapazität bis 2035 auf das Vierfache: Europas Anteil sinkt trotz neuer Entlastungspläne
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