Escola Profissional da Moita: 20 anos a formar para o mercado de trabalho
A instituição, que cresceu de 70 para 1100 alunos, recebeu um investimento superior a 4 milhões de euros em equipamento tecnológico e destaca-se pela forte ligação ao tecido empresarial.
A Escola Técnica Profissional da Moita, com duas décadas de existência, foi apresentada como um caso de sucesso na formação de jovens para o mercado de trabalho. Num episódio do programa "Capital de Sucesso", do canal A Cor Do Dinheiro, o seu responsável, Alexandre Oliveira, explicou o modelo de uma instituição que cresceu de 70 alunos no seu início para 1100 atualmente, entre o ensino profissional e um colégio que abrange desde a creche ao 9.º ano.
Elevada empregabilidade e ligação às empresas
O modelo de ensino da escola dedica um terço do currículo à componente tecnológica, o que resulta numa elevada taxa de integração profissional. Segundo Oliveira, "um aluno que termina um curso só não começa logo a trabalhar se não quiser". Cerca de 75% dos formandos entram diretamente no mercado de trabalho, enquanto os restantes 25% prosseguem para o ensino superior, uma percentagem que pode atingir os 50% em cursos como o de auxiliar de saúde.
A instituição oferece formação em áreas de grande procura, como energias renováveis e soldadura. No setor da restauração, por exemplo, verificou-se um aumento significativo das condições salariais no primeiro emprego, com valores que frequentemente ultrapassam os 1000 euros mensais, como forma de atrair os recém-formados.
Investimento e desafios futuros
A escola está a finalizar um investimento superior a 4 milhões de euros em equipamento, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), para a criação de centros tecnológicos industrial e digital. Este investimento insere-se num programa nacional de 480 milhões de euros para modernizar o ensino profissional no país.
Apesar do sucesso, a instituição enfrenta desafios, nomeadamente na atratividade de certos setores. Uma tentativa de lançar um curso na área da construção civil não teve sucesso devido à perceção negativa das famílias, embora o setor necessite urgentemente de mão de obra qualificada. A escola não desiste da área e explora a possibilidade de um curso focado em construção com impressão 3D.
O panorama do ensino profissional
O debate abordou também o contexto nacional, onde o ensino profissional já representa quase 40% dos alunos do secundário, com a meta europeia fixada nos 50%. No entanto, foi apontado um "subinvestimento crónico" no setor. Alexandre Oliveira referiu que o custo médio anual de um aluno no ensino profissional é de 4.500 euros, em contraste com os 12.000 euros de um aluno no ensino secundário regular.
A escola foi apresentada no programa como um projeto com impacto social e económico, sendo analisadas formas de financiamento para garantir a continuidade do seu investimento e crescimento, com a possibilidade de se criarem produtos financeiros específicos para apoiar entidades deste setor.
Fontes
- A Cor Do Dinheiro — Formar para as Empresas | Capital de Sucesso
- Formar para as Empresas | Capital de Sucesso
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